Assistindo a entrevista do candidato ao governo de Santa Catarina Décio Lima tive um déjà vu: passe o que passe no país, a mídia brasileira permanece imutável.
A entrevista era conduzida por Vanessa da Rocha e Moacir Pereira. Moacir é jornalista e comenta a política em Santa Catarina “desde sempre”. Ex-Diário Catarinense, hoje está no Noticias do Dia – tal qual tantos outros nomes tradicionais do antigo veículo da Rbs. Aliás, o nd+ de hoje parece cumprir o papel do nsc de ontem: quando os gaúchos deixaram a Ilha (apenas a imprensa, as praias jamais) o jornal que assinei desde os tempos de faculdade foi virando um arremedo ao ponto de, ao entrar na sua página, saltar uma promoção jogo de copos americano.
Voltemos ao que interessa. Não cito Moacir de maneira pessoal, jamais. Apenas ilustra o colega de forma perfeitamente clara o raciocínio, o papel, a maneira de ver o mundo, de toda a grande imprensa brasileira. Um posicionamento de quem ao mesmo tempo entende que o atual governo é ruim para todos – incluindo seus próprios interesses -, porém persiste colocando lenha na fogueira de uma das mais escandalosas vergonhas já vistas em solo tupiniquim: a operação lava-jato e o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Ambas tinham como objetivo uma única coisa. Acabar não coa corrupção, como os grandes jornais adoram noticiar, mas com a presença do Partido dos Trabalhadores na presidência da república. Se o Jornal Nacional mostrava um cano de esgoto escoando dinheiro atrás do William Bonner, hoje deveria ter imóveis comprados em cash, micheques, laranjais, rachadinhas.
Passados quatro anos, ainda tem gente que acredita. O que até pode ser relativizado quando para outros vacinas são um plano chinês para tornar o planeta (plano, claro) comunista através do 5G financiado com dólares cubanos. Sem embargo até num mundo plano certas coisas são demasiado.
Ao embasar seus argumentos na sentença do patético juiz que virou ministro, ou do power-point mais infantil que escrever usando comic sans, o jornalista veste o uniforme favorito dos grandes meios de comunicação. Especialmente a Globo quando o que passava na “república de Curitiba” repercutia incontáveis minutos em horário nobre. Quando trechos especialmente selecionados de grampos eram tornados públicos através imprensa porque de tão alabado Sergio Moro realmente pensava ser senhor do bem e do mal. Por exemplo, promovendo uma condução coercitiva “big brother”, a qual a imprensa deve ter sido avisada avisada antes da PF.
Uma presidenta destituída do cargo por um congresso espúrio, tão corrompido que o outrora deputado hoje ocupa o Planalto e tem um “orçamento secreto”. Mas deveras útil para aprovar quaisquer reformas que visem eliminar direitos trabalhistas, programas sociais e impedir que o 1% mais rico aporte o que deveria.
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