A tradicional dança madrilenha permanece viva através de grupos culturais que preservam uma das mais castizas tradições.
Parpusa, a boina com estampa pied-de-poule, colete, cravo. Mantón de manila, a echarpe de variados motivos, lenço, flores presas ao cabelo. Muito basicamente, esses são os adereços típicos de chulapos e chulapas – nome surgido na virada do século XIX para o XX, à época dirigido aos moradores de bairros como Malasaña. Representam o apego dos madrilenhos (nascidos ou não aqui) às tuas tradições e cultura. É o uniforme a ser vestido em datas festivas da comunidade como San Isidro ou La Paloma.
O chotis, baile que também hoje é a cara da capital espanhola, não nasceu aqui: do Reino Unido popularizou-se pelo continente, principalmente na região da Bohemia. Ali ganhou o nome schottisch por parte dos alemães, que por sua difícil pronúncia acabou “simplificado” por chotis em Madri. As músicas falam do cotidiano de uma Madri que quiçá não mais quase exista, porém se desvela em uma caminhada em ruas do centro antigo – de los Austrias – apresentando um encanto por poucos porventura visto.
Um baile simples – ao homem não falta muito mais do que apenas girar, parado – contudo requer sua prática para ser bem dançado, com explica o “mestre de cerimônias” da apresentação realizada no Centro de Cultura Condeduque. Se tem um Mc, o Dj dessa festa seria quem toca o realejo – aqui chamado organillo – que por sua praticidade permita realizar bailes em qualquer lugar.
Nas festas de 15 de maio o salão é a Pradera de San Isidro, parque às margens do rio Manzanares. Em 21, todavia, suas celebrações ocuparam diferentes pontos da cidade, reflexos da pandemia. O que não impediu, porém, que centenas ali fossem para um picnic devidamente uniformizado. Mais do que isso, emociona assistir a esse “velhinhos” executarem os passos e orgulhosamente preservarem tradições que, infelizmente, tendem a não receber o devido reconhecimento das gerações seguintes.
Ano que vem providencio uma parpusa.





























